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segunda-feira, 16 de maio de 2011

O arroz nosso de cada dia...

Peguei no Jornal da Beira por acaso e vi esta notícia, que irei transcrever na íntegra:



«O arroz nosso de cada dia tem mais de oito mil anos


O rei D. Dinis, o “Agricultor”, introduziu em Portugal a cultura do arroz durante o seu reinado, entre os séculos XIII e XIV. Actualmente, pode dizer-se que o português não dispensa este cereal à refeição. Mas qual é a origem do alimento que conforta mais de metade da população do planeta? Um novo estudo publicado na revista “PNAS” defende que o arroz foi cultivado pela primeira vez na China, há mais de nove mil anos. Segundo os cientistas, o arroz caseiro seria o que comemos actualmente. Este rei era mesmo um espectáculo. Construiu em larga escala uma consciência que ultrapassa Portugal e a nação. Definiu fronteiras, instituiu a língua portuguesa, introduziu justiça no mais alto juízo, criou inúmeros concelhos e feiras, melhorou a administração das propriedades, criou culturas e trouxe muitas coisas novas ao país que muito lhe devemos. Amou as artes e letras, era uma figura incontornável, não há palavras para descrever o grande homem que ele era. Agora sobre Sócrates… criou o aborto, o casamento homossexual, facilitou o divórcio, permitiu a mudança de sexo, criou novas taxas e impostos, mentiu e traiu o país…»

Um pequeno texto que deixa muito a desejar… Agora cada um faça as suas ilações. 




Ad majorem Dei gloriam!
Ismael Sousa

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Herança

Mais uma morte. Mais um pedaço de Portugal se perdeu.
Há quem diga que a nossa cultura está nos museus; que a nossa história está nas grandes ruas das grandes cidades, nas casas velhas, nas ruínas.
Eu também acho que sim: a nossa cultura está nos museus; a nossa história, também presente nos museus, está nas velhas ruas de todas as cidades, nas velhas casas que para muitos não passam de lixo. Nas velhas ruínas que são devastadas para darem lugar a um novo centro comercial. Que está nos livros que hoje já ninguém lê. Mas está também naquelas pessoas que mandamos constantemente para os lares.
E hoje falar-vos-ei sobre essa rica herança que se está a perder, residindo nos túmulos daqueles que a possuíam.
Falava-se hoje na riqueza das orações que a velha avozinha nos ensinava e isso fez-me pensar verdadeiramente.
Quantos de nós não se lembram dos velhos cozinhados da “vovó”, com aquele sabor típico que só ela conseguia fazer e que em dias de festa tanto nos adoçava a boca? Quantos de nós não se lembram das velhas cantigas que o velho homem de boina, quando nos sentava no seu regaço ou sentados à volta da lareira, nos cantava? E as velhas lendas e histórias?
Ah como eram belos esses tempos.
Pois é, mas estas belas coisas vão-se perdendo diariamente sem que ninguém se lembre; vão-se apagando das nossas memórias e da memória do mundo.
Hoje tudo isso se torna supérfluo, e a história vai-se apagando.
Mas não haverá quem as queira recordar? Não haverá quem se interesse por essas coisas?
Pois bem, com essas recordações na memória, deixava o desafio de voltarem a perguntar à avó sobre isso, a gravarem de uma ou de outra forma, para poderem transmitir às gerações vindouras, para que não se perca mais um pedaço da nossa velha e antiquíssima cultura!




Ad majorem Dei gloriam!
Ismael Sousa

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cinco Chagas do Senhor!

Hoje falo-vos pela segunda vez.
Pois é, mas não podia deixar passar este acontecimento como se nada fosse.
Hoje, dia sete do mês de Fevereiro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2011, festeja-se a Festa da Cinco Chagas do Senhor.
Segundo a Liturgia das Horas, “o culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos Apóstolos depois da ressurreição, foi sempre uma devoção muito viva entre os portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e instituições. Os Lusíadas sintetizam (I,7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira nacional com as Chagas de Cristo. Assim, os Romanos Pontífices, a partir de Bento XIV, concederam para Portugal uma festa particular, que ultimamente veio a ser fixada neste dia.
Pois bem, como já se referiu, o povo português “era” muito devoto desta festa. E eu digo “era” porque, e vós todos o sabeis bem, vivemos um tempo em que a religião é posta à margem e motivo de chacota.
Mas antigamente, o povo festejava este dia com grande amor e piedade. As chagas foram o sofrimento de Cristo na cruz; elas foram a prova de que Ele ressuscitara.
O nosso grande e ilustre poeta (sem desfazendo outros poetas muito bons também) cantou assim na sua obra-prima estas “feridas” de Cristo.
Eis o que ele escreveu:
Vós, tenro e novo ramo florescente

De uma árvore de Cristo mais amada

Que nenhuma nascida no Ocidente,

Cesárea ou Cristianíssima chamada;

(Vede-o no vosso escudo, que presente

Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas, e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou)
(Lusíadas, I-7) 



Mas, para surpresa de muitos que se declaram ateus, mas bem patriotas, as Cinco Chagas estão presentes na bandeira: repetidas por 5 vezes (os 5 pontos brancos dentro de cada quina representam as 5 Chagas de Cristo).
Desta forma, bendito e louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, por nos dar este sinal da sua morte e ressurreição, enaltecido seja Camões por nos recordar que Deus está sempre connosco (mesmo que seja na bandeira) e Bento XIV, que nos deu esta festa, a nós, povo nobre e Lusitano!



«Todos os que me vêem, escarnecem de mim, 

estendem os lábios e meneiam a cabeça:


"Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo".
Matilhas de cães me rodearam, 
cercou‑me um bando de malfeitores.

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, 
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes 
e deitaram sortes sobre a minha túnica.

 Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, 
sois a minha força, apressai‑Vos a socorrer‑me.

Hei‑de falar do vosso nome aos meus irmãos, 
hei‑de louvar‑Vos no meio da assembleia.

 Vós que temeis o Senhor, louvai‑O, 
glorificai‑O, Vós todos os filhos de Jacob, 
reverenciai‑O, vós todos os filhos de Israel.»
[Salmo 21(22)]





Ad majorem Dei gloriam!
Ismael Sousa

domingo, 29 de agosto de 2010

A magia da presença

Estávamos no ano de 2005, a 2 de Abril... É anunciado ao mundo que Sua Santidade, o Papa João Paulo II, morreu no seu quarto da residência oficial do Bispo de Roma. O Papa mais viajado de toda a história.


Depois de reunidos em Conclave, o novo Papa é eleito: Joseph Ratzinger que escolhe o nome de Bento XVI.

Pessoalmente, a escolha não me agradou…

Achava Sua Santidade uma pessoa fria, amarga, sem qualquer delicadeza para ser o líder da Igreja Católica.

Contudo, muitos rumores surgiram, muitas histórias se contaram…

É anunciado que Sua Santidade virá a Portugal, durante os dias 11, 12, 13 e 14 de Maio.

Não posso esconder a satisfação e alegria que em mim surgiu.

Muitas coisas se prepararam, muito ansiei para que essa altura chegasse.

É chegado o dia de Sua Santidade chegar a Portugal. Bem quis assistir à sua chegada, mas infelizmente as aulas não o permitiram. Consegui contudo ouvir o seu comunicado, o seu primeiro comunicado, do qual vou ressaltar alguns excertos: “Só agora me foi possível […] visitar esta amada e antiga Nação, que comemora no corrente ano um século da proclamação da República. Ao pisar o seu solo pela primeira vez[…] sinto-me honrado e agradecido pela presença deferente e acolhedora de todos vós."

As cerimónias no Terreiro do Paço acompanho-as com todo o entusiasmo.

É chegado o dia 12, e tudo se prepara para irmos para Fátima. A meio do caminho, ouvimos o nosso primeiro-ministro a referir-se a Sua Santidade, como Sua Eminência. Infelizmente, é a cultura do nosso primeiro-ministro.

Chegámos a Fátima, fomos dar a volta de reconhecimento, e finalmente fomos para a fila para a Oração de Vésperas com Sua Santidade. Muita gente.

Já dentro da igreja da Santíssima trindade, esperávamos que Sua Santidade chegasse a Fátima enquanto se ensaiavam as Vésperas.

Assistindo á sua chegada a Fátima, vemo-lo dirigir-se à capelinha para rezar á Santa Mãe de Deus. É nesse momento que oferece a Rosa de Ouro: “Mãe querida de todos nós, entrego aqui no vosso Santuário de Fátima, a Rosa de Oiro que trouxe de Roma […].”

A sua entrada na igreja da Santíssima Trindade é triunfal, onde eu consegui estar a menos de metro e meio de Sua Santidade. Foi, como diria um amigo meu, uma “coisa fantástica”.

Na sua mensagem aos seminaristas, o papa diz: “A vós, queridos seminaristas, que já destes o primeiro passo para o sacerdócio e estais a preparar-vos no Seminário Maior ou nas Casas de Formação Religiosa, o Papa encoraja-vos a serdes conscientes da grande responsabilidade que ides assumir: examinai bem as intenções e as motivações; dedicai-vos com ânimo forte e espírito generoso à vossa formação. A Eucaristia, centro da vida do cristão e escola de humildade e serviço, deve ser o objecto principal do vosso amor. A adoração, a piedade e o cuidado do Santíssimo Sacramento, durante estes anos de preparação, farão com que um dia celebreis o Sacrifício do Altar com unção edificante e verdadeira.”.

Esta mensagem alegra-nos. Alegra-me particularmente a mim, que tinha uma imagem diferente do Papa.

O dia prossegue, com a participação em todas as celebrações.

Às 2 da manha, a Via-Sacra é organizada pelo Instituo Superior de Teologia de Viseu, do qual faço parte!

Pelas 4.30 assisto ao terço na Capelinha, e as 5 vou à missa à igreja da Santíssima Trindade.


Foram assim vividos aqueles dias perto de Sua Santidade, que me ajudaram muito, principalmente a acreditar na acção do Espírito Santo na Igreja.


O propósito deste post, foi de partilhar a alegria com que vivi a Visita de Sua Santidade a Portugal, e o quão foi importante para mim e para tantos cristãos a mudarem a opinião que tinham sobre ele.

Se assim poder terminar, agradeço a Sua Santidade por me ter ajudado, por me fazer crescer espiritualmente, por ser a pessoa que é!

Ismael Sousa