quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma história!

Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela do meu quarto, despertei do sono.
A natureza, lá fora, despertar, também, com os primeiros raios de sol.
Vesti uns calções, uma camisola de manga curta e calcei as botas.
Dirigi-me à cozinha, onde preparei o café. Peguei numa chávena, que enchi de café, em algumas torradas e vim sentar-me na varanda da velha cabana.
Diante de mim, erguiam-se os grandes montes, pedindo a alguém que os explorasse. Estes dias, essa seria a minha missão.
Pousei a caneca e disfrutei daquela bela visão. Parecia um quadro. As cores misturam-se criando várias padrões de verdes, vermelhos e amarelos. Só eu me encontrava naquela jornada.
Estava na hora de seguir viagem e misturar-me no meio daquele quadro.
Voltei à cozinha, peguei na mochila e saí em direcção aos montes. Agora sim, sentia-me livre. A barafunda e o barulho da cidade perturbavam-me.
Arriei caminho ainda não eram nove horas. Teria oportunidade de caminhar três, quatro horas antes de voltar.
Caminhei por estradas de terra batida, por caminhos onde só animais andariam. Escalei montes, desci riachos, fotografei todo aquele belo espaço.
Cheguei a casa, já o sol se começava a deitar por detrás dos montes. Jantei algo e voltei a sentar-me na varanda.
Agora, sobre mim, pairavam os astros, numa total corrida. Levantei-me e caminhei para junto ao rio. Lá me deitei, sozinho, olhando as estrelas. Como eram diferentes da cidade.
Porque não decidira eu vir mais cedo a um local destes? A cidade matava-me, e mesmo assim, eu permanecia nela.
Agora, no fim dos meus dias, eu estava ali. Ali a desfrutar de tudo o que perdera em tantos anos.
Recolhi a casa e deitei-me.
Os dias seguintes foram passados a explorar aquele espaço. Queria encontrar um local perfeito e só meu.
Desanimado vinha eu naquele que era a véspera do grande dia. Mas, bebendo de uma cascata, encontrei uma gruta. Finalmente o espaço que eu desejava.
Voltei para a cabana e deitei-me sobre o sofá. Amanhã seriam os preparativos para o fim de tudo. Para “O Fim”.
Acordei e peguei no telemóvel. Procurei um pouco de rede e decidi telefonar à única pessoa que ainda se lembrava de mim. Pedi-lhe que viesse à cabana. Enquanto ele não chegasse teria tempo de preparar as últimas coisas.
Sentei-me na mesa da cozinha e escrevi uma carta. As lágrimas corriam pelo meu rosto. Fechei-a e coloquei-a na mesa da sala, junto à máquina fotográfica e do rascunho de um livro que escrevera.
O sol raiava no alto céu, quando eu saí de casa. Dirigi-me para a cascata. A minha alma dizia-me que não teria muito mais tempo. As dores de cabeça tinham-se tornado infernais.
Passei a cascata depois de olhar uma última vez as maravilhas do quadro que Deus pintara. Deitei-me no chão, fechei os olhos.
Aqueles segundos de espera não foram tão bons quanto eu pensara. Na verdade eram dolorosos.
Esperei a morte e ela veio. E eu adormeci para este mundo. O cancro tinha ganho a primeira batalha, mas eu ganhara a guerra!



Ad majorem Dei gloriam!
Ismael Sousa

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